1018 | XSLT aposentado, modelos novos e um pato sintetizado

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Show notes

Um passeio pelas notícias que movimentaram a semana: os navegadores largam o XSLT, chega um novo modelo da DeepSeek, um agente de código sofre um ataque e vaza chaves, o kernel Linux publica estatísticas de desenvolvimento, e ainda há tempo para ouro como principal exportação dos EUA, energia solar a ultrapassar a nuclear e um pato sintetizado em áudio de alta qualidade.

Linha do tempo

  • 00:00:04 Abertura
  • 00:00:47 Navegadores removem o XSLT
  • 00:06:45 Pele: diagramas Mermaid como SVG temático
  • 00:10:49 DeepSeek V4.1 Flash 1017: benchmarks e receção
  • 00:18:26 OpenCode atacado: credenciais expostas
  • 00:22:48 Estatísticas de desenvolvimento do kernel Linux 7.2
  • 00:28:54 O ouro torna-se a principal exportação dos EUA
  • 00:36:00 A energia solar ultrapassa a nuclear no mundo
  • 00:42:39 The Duck Pond: patos sintetizados no navegador
  • 00:45:59 Frango transparente com pigmento de Doritos
  • 00:50:23 Tornar-se cidadão do Japão
  • 00:59:13 Colonos atacam diplomatas europeus na Cisjordânia
  • 01:01:19 Encerramento

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Transcript

Sofia Almeida: Boa noite, e bem-vindos. Eu sou a Sofia Almeida.

Rafael Costa: E eu sou o Rafael Costa. Como sempre, vamos passar pelas conversas mais interessantes do Hacker News das últimas vinte e quatro horas.

Sofia Almeida: E hoje temos uma seleção que vai do fim de um pedaço de tecnologia web dos anos 90 ao fim da semana numa aldeia cristã da Cisjordânia. Temos IA, segurança, o kernel Linux, o ouro, energia solar, patos sintetizados, frango transparente, e a jornada de alguém a tornar-se cidadão japonês.

Rafael Costa: É uma mistura estranha, mas é o que o Hacker News faz melhor. Vamos começar pelo que atormenta os desenvolvedores web mais antigos: o XSLT.

Sofia Almeida: A notícia é que o Chrome e o Edge estão a remover o suporte a XSLT. Para quem não conhece, o XSLT é uma linguagem da era do XML que transformava documentos XML em páginas web visíveis. Dizias ao navegador: aqui está o XML, e esta folha de estilo descreve como o apresentar.

Rafael Costa: E a situação do Edge é bastante clara. O pjmlp resume-a de forma lacónica: "Edge é Chrome." Ou seja, o Edge é baseado no Chromium, e segue as alterações que a equipa do Chrome faz à plataforma web.

Sofia Almeida: Sim, e o zamadatix desenvolve isso. Nota que o próprio artigo o diz logo na abertura, e cita uma declaração da Microsoft. A declaração diz que, por razões de funcionalidade e compatibilidade, o Edge adopta quase todas as alterações do Chromium à plataforma web. No entanto, a Microsoft mantém controlo total sobre o navegador e pode adiar ou rejeitar alterações.

Rafael Costa: E o zamadatix acrescenta que as funcionalidades removidas nem sempre seguem os mesmos prazos — e não só por atrasos na sincronização com o upstream do Chromium.

Sofia Almeida: Portanto, a resposta da Microsoft não é um "nunca", mas também não é uma promessa de manter o XSLT separadamente. É mais um "provavelmente vamos seguir o Chrome, mas há margem para manobra."

Rafael Costa: E quem fica a perder? Quem depende de XSLT para estilizar ficheiros XML. O Trustable8 tem um comentário nostálgico e informativo. Diz que é uma pena porque, nos tempos do XHTML, o XSLT era uma especificação que podia ter tornado a modularidade dos sites muito mais limpa.

Sofia Almeida: E ele conta uma experiência própria: criou uma ferramenta de criação de sites que combinava componentes separados usando XSLT. Diz que era muito poderoso, nos dias antes de o JavaScript ser utilizável sem jQuery. Mas depois o XHTML foi abandonado em favor do HTML5, e o XSLT tornou-se praticamente inútil. E ele especula que sobreviveu tanto tempo, provavelmente, para estilizar ficheiros XML.

Rafael Costa: Mas nem toda a nostalgia é só sentimento; há também crítica técnica. O g-b-r diz que a especificação do XSLT 1.0, em particular, foi mal escrita, e que teve dificuldade em compreendê-la.

Sofia Almeida: E o WCSTombs desenvolve isso: diz que, tanto quanto sabe, praticamente ninguém implementa apenas o XSLT 1.0 puro. O que suportam é a maior parte do 1.0, mais um punhado de extensões EXSLT — que são completamente não oficiais e não fazem parte de nenhuma especificação XSLT, refere. E na opinião dele, o EXSLT é o mínimo necessário para tornar o XSLT 1.0 uma linguagem minimamente aceitável.

Rafael Costa: E o WCSTombs acrescenta que a especificação evoluiu para 2.0 e 3.0, que, tanto quanto sabe, até hoje não têm nenhuma implementação open-source completa. Portanto, estamos a falar de uma tecnologia que, mesmo no seu auge, nunca teve uma implementação fiel à especificação.

Sofia Almeida: O wahern tem uma perspectiva um pouco diferente. Ele lamenta que o HTML5 não tenha dado o passo extra de definir uma codificação DOM canónica ou compatível com XML, ou pelo menos encorajado isso. Diz que o sentimento anti-XML foi explícito e rancoroso.

Rafael Costa: Mas ele não descarta o XSLT completamente. Diz que perdeu o entusiasmo pelo XML depois de experiências com WDDX e XML-RPC, mas, como base para HTML, era a melhor coisa disponível. E talvez ainda seja, dado que não há concorrentes cross-toolchain. E o mesmo para o XSLT, se ignorarmos a escolha de tornar a sintaxe homoicónica.

Sofia Almeida: Homoicónica — quer isto dizer que a sintaxe é escrita na própria linguagem que processa. É um detalhe técnico, mas ele menciona. E ele diz que voltou ao XSLT muito depois de ser claro que era um beco sem saída. Conclui: "Uma boa ferramenta é uma boa ferramenta, e o facto de o continuar a ser apesar do abandono deliberado só o prova."

Rafael Costa: Há também uma discussão sobre alternativas. O troupo aponta para uma longa discussão no GitHub sobre a remoção do XSLT, no repositório whatwg/html, e para uma proposta chamada swet, que ele considera já muito melhor do que qualquer proposta de templating que "a plataforma" está a tentar empurrar.

Sofia Almeida: E claro, há a ironia da própria notícia. O artigo original estava em doctor-seo.net, e quando o Hacker News lhe deu tráfego... deu 503, Service Unavailable.

Rafael Costa: O tossit444 postou simplesmente "503", e o Insimwytim respondeu: "Então, este site falha, sabemos disso." E o Barbing, com humor: "doctor-seo dot net falhou-nos. Para que mundo estamos a caminhar?"

Sofia Almeida: O g-b-r salvou a situação com um link para o Internet Archive, e o Aachen fez uma observação que vale a pena citar: "Bênção ao Internet Archive por basicamente alojar uma segunda cópia da internet com largura de banda suficiente para servir o que está atualmente em baixo, enquanto este único site não sobreviveu ao tráfego que recebeu individualmente."

Rafael Costa: Portanto, uma notícia sobre tecnologia web antiga, e o site que a noticiava não conseguia lidar com o tráfego moderno. E a plataforma web continua a evoluir, agora com renderização de diagramas.

Sofia Almeida: O que nos leva ao Pele. É um projeto que apareceu no Show HN, apresentado pelo dchest. É uma biblioteca open-source — MIT — desenvolvida para o Obsidian, o editor de notas, para renderizar diagramas rapidamente e combinar com o tema do utilizador.

Rafael Costa: E o que é o Mermaid, para quem não conhece? É uma linguagem para escrever diagramas em texto — fluxogramas, sequências, etc. — muito popular em documentação. Escreves texto, e o Pele renderiza-o em SVG.

Sofia Almeida: E o Pele faz algumas promessas impressionantes. Primeiro: usa variáveis CSS para temas. E isto é um detalhe importante: as cores mudam sem re-renderizar. Ou seja, o SVG está lá, e as variáveis CSS controlam a aparência. É elegante.

Rafael Costa: Segundo: o desempenho. Zero dependências, seis vezes menor — 230 kB comprimido contra 1,6 MB do Mermaid.js — e até quinhentas vezes mais rápido: 0,05 a 0,3 milissegundos contra 6 a 82 milissegundos. E suporta todos os tipos de diagrama incorporados no Mermaid 12.1.0.

Sofia Almeida: E há uma diferença subtil no comportamento responsivo: em ecrãs pequenos, o Pele adapta o layout em vez de escalar o diagrama. Isso pode ser muito melhor em telemóveis.

Rafael Costa: Mas as reações na discussão não são todas sobre velocidade. O nickmain faz uma pergunta prática: a biblioteca Mermaid oficial ainda requer um ambiente de navegador completo ou headless para fazer o layout do SVG? Se sim, o Pele é uma ótima notícia para incorporar renderização Mermaid noutros lugares.

Sofia Almeida: E o invokestatic responde com experiência própria: a biblioteca Python mermaidx funciona para isso, e é boa para gerar documentação com diagramas incorporados em CI/CD, mas o layout/rendering pode ser muito estranho. Por exemplo, diz ter um monte de conexões a cruzar-se em vez de estarem arrumadas para evitar isso. Mudar as configurações de layout não corrige, por isso às vezes simplesmente exporta do mmdc e incorpora um PNG.

Rafael Costa: O falsaberN1 menciona outra alternativa no GitHub: Merman, que também produz SVG.

Sofia Almeida: E há uma queixa mais profunda, do lukeify: sempre que tenta o Mermaid para algo mais complexo que um diagrama de brinquedo, acaba frustrado pelo layout "arcane e topologicamente pobre" que é produzido. Para ele, o styling parece um problema trivial em comparação.

Rafael Costa: E aqui entra o tptacek com uma observação fundamental: "O layout de grafos é um problema notoriamente difícil!" O que é verdade. O Pele pode renderizar mais depressa, mas o problema do layout — decidir onde pôr as caixas e as setas para ser legível — é um problema de investigação.

Sofia Almeida: O mcapodici reflete sobre isso: pergunta-se se é quase como escrever. Para fazer um diagrama que comunica bem, é preciso ter resolvido o problema corretamente. E o thegagne diz que teve boa sorte com D2 e elk ou dagre, e que, se se aprofundar no elk, consegue fazer muito.

Rafael Costa: Portanto, o Pele não resolve magicamente o problema do layout — mas parece resolver o problema da velocidade e da temática. E há uma nota leve na discussão: o nome. O druvisc diz que "pele" é "rato" em letão. O hmokiguess acrescenta que é "pele" em português — o que, para nós, é óbvio. E o apodik remata: "e um jogador de futebol no Brasil."

Sofia Almeida: E uma nota prática do Imustaskforhelp: ele demorou a encontrar o código-fonte, e pede que os projetos open-source ponham um ícone do GitHub no topo da página para facilitar. Acabou por encontrar: está em github.com/obsidianmd/pele.

Rafael Costa: E do mundo das ferramentas que evoluem depressa, passamos aos modelos de IA, que também estão a evoluir a uma velocidade espantosa. A DeepSeek lançou o V4.1 Flash 1017.

Sofia Almeida: "1017" é a data — 17 de outubro, o snapshot do modelo. E os números são impressionantes. É um modelo de mistura de especialistas — MoE — com 552 mil milhões de parâmetros no total, mas com apenas 8 mil milhões ativos na entrada e 16 mil milhões na saída. Uma divisão assimétrica que mantém o custo por token baixo em relação ao tamanho total do modelo.

Rafael Costa: É a primeira arquitetura Causal Encoder-Decoder — CED — da empresa, e a compreensão de imagens é nativa: os embeddings visuais e textuais foram treinados em conjunto desde o início do pré-treino, em vez de serem adicionados depois, como no anterior V4 Flash Vision Exp.

Sofia Almeida: O preço é muito agressivo: 0,15 dólares por milhão de tokens de entrada e 0,60 por milhão de saída, com um custo de leitura de cache de apenas 0,003. O contexto é de um milhão de tokens. E o caching comprimido reduz a memória de cache para cerca de um quarto da geração anterior do Flash, o que reduz significativamente os custos em workloads agênticos.

Rafael Costa: A DeepSeek posiciona-o como o nível custo-eficiente da família V4.1, e diz que excede o V4 Pro em desempenho, velocidade e tempo de conclusão de tarefas. No OpenRouter, os números de desempenho mostram 152 tokens por segundo, com latência de 1,21 segundos e uptime total nos últimos três dias.

Sofia Almeida: E os benchmarks do cartão do modelo no Hugging Face mostram ganhos grandes em relação ao V4.1 Flash anterior. Por exemplo, no Terminal-Bench 4.0, sobe de 31,2 para 42,3. No Automation-Bench, de 54,8 para 60,5. No BabyVision com ferramentas, de 89,6 para 92,5. E comparado com outros modelos: o K3 tem 12,6 no Terminal-Bench, o GLM-5.3 tem 37,9, o GPT-5.6 Sol tem 39,9, e o Opus 5 tem 51,8.

Rafael Costa: Mas nem todos acreditam. O freakynit é direto: "Esses benchmarks não podem ser reais, certo? Certo?" — referindo-se ao meme da Padmé de quatro painéis. E não é só ceticismo; o freakynit desenvolve uma preocupação mais profunda: acredita que estes são os últimos conjuntos de modelos super-avançados disponíveis ao público, abertos ou fechados. Acha que estas empresas vão começar a reter os modelos de topo para si, para governos e para parceiros que pagam super-alto.

Sofia Almeida: O logicchains tem uma leitura competitiva: a este ritmo, os laboratórios de fronteira serão a Anthropic e a DeepSeek, com a OpenAI a lutar para acompanhar. E o A_D_E_P_T tem uma visão mais matizada: diz que os modelos da OpenAI — e mesmo o Argon da Google — têm nichos onde brilham. Para o GPT-6/6.1, é modelação 3D; para o Argon, é escrita em linguagem natural e tudo o que se liga à Google. Mas concorda que a Anthropic e a DeepSeek — mais a GLM — estão definitivamente a resolver código.

Rafael Costa: E nota que são todos ferramentas bastante diferentes.

Sofia Almeida: O bashtoni nota o contraste na comunicação: "uma atualização menor", dizem, antes de mostrarem benchmarks com uma melhoria substancial.

Rafael Costa: O jononor fica satisfeito por estar acima do GLM 5.3, que considera um modelo muito capaz, mas lamenta que não veja modelos "flash" mais pequenos — correr este localmente é difícil, e muito caro.

Sofia Almeida: E o LaurensBER compara: perto do Opus 5, mas muito atrás do Sol 6.1 e do Opus 5.5. E acha que é um modelo bastante decente para noventa por cento dos casos de uso. Conta que tem feito muito trabalho de hobby com o GLM 5.3 Flash, e que consegue contar nos dedos das duas mãos as vezes em que precisou de um modelo mais forte. Tem acesso a tokens ilimitados no trabalho, e o Opus é ótimo mas muitas vezes excessivo.

Rafael Costa: E o egeozcan descreve um fluxo de trabalho interessante: usa o Opus para planeamento, através da API com pensamento médio, que não custa nada de significativo, e o resto pode ser feito com DeepSeek ou GLM flash. Usa o Sol 6.1 para ciclos de revisão no final. Tudo a correr no pi. Diz que uma tarefa muito complexa custa no máximo uns dez dólares — comparável a uma subscrição, com enorme flexibilidade.

Sofia Almeida: Mas nem todos concordam sobre o Sol 6.1. O cromka diz que não percebe o que as pessoas veem nele. Acha o Opus 5.5 muito mais inteligente — mais proativo, evitando erros estúpidos onde se contradiz ou ignora o contexto. Diz que o Sol 6.1 tem memória de peixe-dourado, e que é tão irritante de trabalhar como o Opus 5 era.

Rafael Costa: E há quem queira correr isto localmente. O Pragmata pergunta: não se consegue correr num par de DGX Spark? Caro agora, mas ao preço inicial de varejo — uns oito mil dólares em hardware? Não exatamente inatingível. O bashtoni responde que não, não é um modelo pequeno; acredita que quatro Sparks é possível, mas o 4.1 é bastante grande para um modelo flash. E nota que o MiMo 2.6 Flash é o modelo mais capaz que se consegue atualmente correr em dois Sparks sem recorrer a uma versão quantizada.

Sofia Almeida: E o olavgg partilha como usa isto na prática: gosta de ter o DeepSeek Flash mais o Opus 5.5 como conselheiro/revisor. Diz que percorre uma subscrição de duzentos dólares do Claude Code em menos de vinte e quatro horas, só para um único projeto, e odeia andar a brincar com contas diferentes todos os dias. Como a subscrição inclui duzentos dólares de créditos de API, reescreveu completamente o seu fluxo de trabalho de agente de código.

Rafael Costa: O rpastuszak pergunta "como?" e o fahrvrgnugen responde com uma teoria: "a carregar toneladas de MCPs e nunca compactando." Ou seja, a encher o contexto com servidores MCP e nunca a resumir a conversa.

Sofia Almeida: E o risphere nota algo interessante sobre a API de pesquisa web nativa: é dez vezes mais barata que a da OpenAI, e espera que a lancem como API independente. O chloerei responde que já está disponível, apontando para os documentos da API. O ytxm deu um pontapé e teve resultados mistos: uma pesquisa por um produto da Microsoft não encontrou a página oficial, e uma pesquisa por um pacote open-source nicho deu os repositórios Debian nos primeiros resultados, com a página inicial nos primeiros dez.

Sofia Almeida: Mas achou giro que estejam a fazer a sua própria pesquisa, e nota que muita gente está a trabalhar ativamente em clones de pesquisa.

Rafael Costa: E isto liga-nos ao próximo tema: quando confiamos estes serviços com as nossas credenciais e os nossos dados, há riscos reais. O OpenCode foi atacado.

Sofia Almeida: O OpenCode anunciou no X que teve uma quebra de segurança na noite anterior, relacionada com um "ataque de destilação" em larga escala que afetou 1,4% dos utilizadores do OpenCode Console. Notificaram todos os afetados por email nessa manhã. O incidente estava em curso, por isso não podiam partilhar mais detalhes, mas estavam a trabalhar com a Anthropic, a OpenAI e a Google para remediar.

Rafael Costa: E na thread do Hacker News, o pranshuchittora publicou a mensagem da equipa. Identificaram acesso não autorizado a um sistema legado que estavam em processo de desativação. As chaves de fornecedores terceiros — como OpenAI e Anthropic — guardadas no workspace dos utilizadores podem ter sido expostas.

Sofia Almeida: A recomendação: revogar e substituir essas chaves através do painel do fornecedor relevante, atualizar quaisquer aplicações que as usem, e rever a utilização recente para atividade inesperada. Terminam pedindo desculpa: "Lamentamos que isto tenha acontecido e acompanharemos com atualizações."

Rafael Costa: Mas as reações na discussão são... picantes. Há uma corrente de desconfiança antiga. O bewareofscams diz "eu avisei", com um link para um comentário seu de sessenta e oito dias antes: "Cuidado com o autor do tweet, que é o autor do OpenCode — o OpenCode vai vazar todos os seus dados para si próprios e para terceiros duvidosos. O autor fingiu ignorância e nunca corrigiu o problema."

Sofia Almeida: E cita uma issue no GitHub — a número 10416 — que parece documentar essas preocupações.

Rafael Costa: O tadasv explica por que não confia no OpenCode: diz que parecia muito bom no papel quando saiu, quando não havia alternativas, mas hoje preferiria ficar com uma configuração pi simples — não sabe se é muito melhor, mas parece não ter toda esta infra-estrutura de nuvem — ou simplesmente usar um dos agentes das grandes empresas e chegar ao fim do dia.

Sofia Almeida: O lukewarm707 cita uma passagem crítica: quando questionados por enviarem dados para o OpenRouter sem o listar como processador terceiro, ofereceram uma resposta desdenhosa. O mesmo por passar os prompts pela Cloudflare. E diz que parece trivial, mas sinaliza um desinteresse geral pela segurança. Este utilizador tinha uma conta mas saiu por razões de segurança.

Rafael Costa: Mas há vozes discordantes. O Reyonlds96 acusa a thread de desinformação: diz que tudo o que o OpenCode fazia era dar um modelo grátis para geração de títulos, se o utilizador não tivesse configurado um próprio — uma funcionalidade que se podia desativar. Foi removida, por isso agora não há modelo de fallback grátis. E diz: "Ainda é privado por defeito."

Sofia Almeida: Mas o anonymous908213 responde com dureza: "Tudo o que 'sempre fez' era enviar todo o seu prompt/contexto para um modelo 'grátis' para colheita. O astroturfing nesta thread é absurdo." Portanto, há um desacordo frontal sobre se o comportamento anterior era benigno ou uma recolha de dados.

Rafael Costa: E há uma pergunta prática do lousken: se não usa nenhum dos modelos deles nem tem sessão iniciada, é um problema? Diz que no Wireshark só vê tráfego para models.opencode.ai. E o neya reage com desânimo: "Que pena, não sabia que o OpenCode era assim tão mau em privacidade."

Sofia Almeida: E o TZubiri faz uma observação filosófica interessante: "é engraçado como ninguém anuncia as suas vulnerabilidades críticas com 'fomos atacados, deveriam desinstalar o nosso software e usar outra coisa'; em algum ponto de gravidade, essa deveria ser a conclusão, mas ninguém nunca a diz." O qlte responde que isto foi um vazamento de chaves adicionadas numa interface web, não uma falha do software local.

Rafael Costa: E há um utilizador no próprio X — o Stoven — que diz: "138 dólares desaparecidos. Seremos compensados?" Portanto, há danos reais, pelo menos para alguém. Resta saber a dimensão final do dano e o que vai acontecer.

Sofia Almeida: E do vazamento passamos ao impacto dos LLMs no maior projeto de software do mundo: o kernel Linux. A LWN publicou as estatísticas de desenvolvimento do kernel 7.2.

Rafael Costa: O Jonathan Corbet escreve que o Linus Torvalds lançou o 7.2 a 17 de agosto, notando que o número de correções a chegar era "maior do que eu gostaria". De facto, foi um dos ciclos de desenvolvimento mais movimentados da história do kernel: quase seiscentas mil linhas de código adicionadas.

Sofia Almeida: Os números: 16.418 commits que não são merges, vindos de 2.652 developers. Isso supera o recorde anterior de 2.479 do 7.1. E é o segundo ciclo mais movimentado da história do kernel — só o 6.7 teve mais commits, mas esse foi dominado pela fusão do histórico de desenvolvimento do bcachefs, enquanto o volume do 7.2 é mais distribuído.

Rafael Costa: E há uma tendência clara ao longo da história do Git: o número de developers a contribuir para cada versão aumenta com o tempo. Mas a inclinação da linha mudou claramente — ou seja, está a acelerar.

Sofia Almeida: Os developers mais ativos: por número de mudanças, o Uwe Kleine-König lidera com 151, seguido do Rosen Penev com 146. E aqui está o detalhe interessante: o Rosen Penev contribuiu uma longa lista de correções de bugs escritas por LLM, espalhadas pelas arquitecturas, drivers, networking e crypto.

Rafael Costa: Por linhas alteradas, o Matthew Stewart está no topo com mais de oitenta e três mil linhas — setenta e oito por cento — seguindo a tradição de adicionar ficheiros de cabeçalho massivos gerados por máquina para o amdgpu. O Hawking Zhang fez o mesmo. E o Miguel Ojeda trouxe o crate Rust zerocopy para o kernel.

Sofia Almeida: E há dados sobre revisão: apenas pouco mais de oito por cento dos commits no 7.2 tinham etiquetas Tested-by, enquanto quarenta e oito por cento incluíam Reviewed-by. As etiquetas de revisão, em particular, mostram uma tendência descendente ligeira nas versões recentes. O Corbet nota que se isso reflete uma diminuição real da quantidade de revisão é, no mínimo, incerto.

Rafael Costa: E a conclusão do artigo é o que mais mexeu com a discussão. O Corbet escreve: "O kernel Linux visa o uso em produção, não investigação ou experimentação. Mas há atualmente um enorme experimento a ser corrido no desenvolvimento do kernel e na comunidade."

Sofia Almeida: E acrescenta: "Esta comunidade absorveu novos processos e ferramentas muitas vezes ao longo dos seus trinta e cinco anos de história, e quase certamente encontrará uma forma de o fazer desta vez também. Mas essa absorção nem sempre foi sem turbulência pelo caminho."

Rafael Costa: O 05kqhg nota na discussão que o título — "Estatísticas de desenvolvimento para o kernel 7.2" — é neutro, mas o último parágrafo é altamente crítico em relação aos LLMs, em contraste com manchetes editorializadas noutros lugares como "Bugs de Linux corrigidos por versão ao longo do tempo: aumento de mais de duas vezes desde abril de 2026", que parece implicar algum tipo de mitos sobre descoberta de bugs.

Sofia Almeida: E o mh- acrescenta a frase seguinte, para dar contexto — a de absorver novas ferramentas ao longo de trinta e cinco anos, mas nem sempre sem turbulência.

Rafael Costa: Há também quem veja o outro lado. O Matl diz que, embora ótimo em teoria, o reverso da medalha são todos os patches e PRs de lixo que tanto o kernel como o open source em geral agora têm de lidar, muitas vezes com apenas agentes como respondentes. Diz que honestamente já não lhe dá vontade de abrir nada para contribuições externas.

Sofia Almeida: O mathisfun123 acha que as preocupações são muito exageradas, apontando para os próprios sentimentos do Linus num email na lista. Mas o senderista discorda frontalmente: "A afirmação do Linus de que o uso de ferramentas LLM não é correlacionado com compreensão ou competência é ridícula."

Rafael Costa: E o rvz traz um contra-exemplo concreto: diz que o próprio Linus está em todo o lado nesta questão. Usou o Claude Code para escrever um dos seus patches e introduziu um bug de data race no kernel sem se dar conta — mas o bug foi apanhado por outro revisor antes de chegar a uma nova versão do kernel.

Rafael Costa: E argumenta que o Linus, portanto, não compreendeu as mudanças que o Claude fez no código que submeteu, apesar dos seus "princípios" de dizer aos outros que a IA criava patches de lixo — e depois de ter gritado com outros que estavam preocupados com o uso de LLMs em código que eles próprios não compreendiam.

Sofia Almeida: E o dist-epoch resume a posição pragmática: "Queres os bugs do teu projeto corrigidos, não importa a fonte, ou queres que apenas humanos contribuam? O Linus quer os bugs corrigidos."

Rafael Costa: E o pelagicAustral nota, sem grande surpresa, mas com um reconhecimento interessante: não envisageou um futuro onde o Linus abraçasse a IA de forma tão frictionless. Diz que depois da inclusão do Rust no kernel, provavelmente teria apostado algum dinheiro nisso. O nvme0n1p1 acrescenta que o Linus é bastante visionário, e que isso explica por que o Linux se manteve relevante durante tantas décadas.

Sofia Almeida: E o nomel questiona por que o pelagicAustral ficou surpreendido: "Porquê? Ele parece muito pragmático. Esperava totalmente que o abraçasse, com a única preocupação sendo correção e qualidade." E o pelagicAustral responde que há bastantes pessoas pragmáticas por aí, e no entanto não andam a cantar louvores. O mycall nota uma diferença de escala: o Rust levou muito tempo a amadurecer para ser considerado para o kernel. A IA é mais rápida mas mais fácil de integrar.

Rafael Costa: E do software ao mundo físico — e ao metal mais antigo de todos. O ouro tornou-se a principal exportação dos Estados Unidos.

Sofia Almeida: O artigo é do Patrick A. Heller, no Numismatic News. A notícia: normalmente, as exportações de maior valor da América são petróleo, produtos farmacêuticos, ou aviões e suas peças. Não agora. A partir de outubro de 2025, o valor das exportações de ouro superou todas as outras categorias quase todos os meses.

Rafael Costa: E não é só o preço recorde do ouro — em fevereiro de 2026, as toneladas exportadas podem ter batido um recorde histórico de sempre. Os principais destinos: a maioria vai para a Suíça, quase certamente para as refinarias. A segunda maior quantidade vai para Hong Kong, que é o destino global do ouro com destino à China. E a terceira para o Reino Unido, onde a London Bullion Market Association é a maior bolsa de negociação de ouro do mundo.

Sofia Almeida: Um detalhe importante: o governo americano continua a reportar que as suas reservas de ouro estão inalteradas. Por isso, estas exportações parecem vir da produção mineira atual e de operações de reciclagem.

Rafael Costa: E porque está isto a acontecer? Não há explicação oficial. O Heller apresenta a sua especulação — e é explícito que é especulação. Primeiro: vários governos estrangeiros estão a ficar desconfiados da futura perda de poder de compra do dólar americano, e prefeririam um ativo de reserva com melhor registo. Entre todos os bancos centrais estrangeiros combinados, o valor das suas reservas de ouro agora excede as suas participações em dívida do Tesouro americano.

Sofia Almeida: Segundo: a maioria das nações estrangeiras não tem o poder económico e financeiro, ao negociar com o governo ou empresas americanas, para exigir pagamentos por bens e serviços noutra moeda que não o dólar.

Rafael Costa: Terceiro: a China tem esse poder. O Heller nota que o Banco Central Chinês tem um histórico de reduzir as suas participações em dívida do Tesouro americano — de 1,1 biliões de dólares em abril de 2021, para 784,3 mil milhões em fevereiro de 2025, e o último reportado, em fevereiro de 2026, em apenas 693,3 mil milhões. Grande parte dessa diminuição foi substituída por ouro.

Sofia Almeida: E quarto e quinto: o governo chinês está também a trabalhar para diminuir o uso do dólar no comércio internacional, através de sistemas de pagamento alternativos e da promoção do "unit" para transações entre as nações membros do consórcio BRICS.

Sofia Almeida: E quando se soma o ouro detido pelo banco central chinês — com um histórico de décadas de subnotificação das reservas de ouro —, os fundos de investimento soberanos chineses, o exército chinês, os inventários de empresas propriedade directa do governo ou exército chinês, e os cidadãos privados, há múltiplos analistas que consideram que essa nação controla efetivamente a maior quantidade de ouro de qualquer governo.

Rafael Costa: A hipótese do Heller é que uma percentagem alta das exportações de ouro americanas vai para a China, embora algumas tenham de dar um desvio pelas refinarias suíças para converter o ouro em barras de quilograma com a pureza aceitável. E especula que é possível que o governo americano tenha consentido nesta forma de pagamento em troca de outras concessões políticas. Mas é honesto: "Posso provar isto? Não. Mas faz sentido, muito mais do que qualquer outra explicação."

Sofia Almeida: E na discussão, há quem duvide dos dados. O EA-3167 diz que duvida da veracidade do artigo: todas as anteriores exportações de metais dos EUA, incluindo e não limitado a ouro, ficaram em terceiro nas exportações a meio do ano. E aponta para várias fontes que dizem o contrário.

Rafael Costa: Mas o thisisthenewme responde que o artigo que o EA-3167 publicou parece ser "slop" de LLM, sem referências às suas afirmações, enquanto o artigo do post usa dados do bea.gov. E o ceejayoz pergunta diretamente: "Porque é que confiaste neste artigo em particular?"

Sofia Almeida: E o iAMkenough faz uma crítica epistemológica que vale a pena ouvir: todas estas links são de publicações que nunca ouviu, e tem dificuldade em verificar independentemente a sua credibilidade. Por exemplo, o TradeInt anuncia que é de confiança da Samsung, mas não encontra nenhum registo de a Samsung usar o TradeInt para nada.

Sofia Almeida: Anuncia uma classificação de cinco estrelas no Product Hunt, mas a pessoa que criou o anúncio criou a conta quando o TradeInt lançou e não tem seguidores nem outra atividade desde 2024. "Todos parecem ser blog spam, da minha perspectiva. Qualquer um — ou qualquer IA — pode publicar qualquer coisa para confirmar qualquer ponto de vista. O que torna essas links dignas de partilha?"

Rafael Costa: E há uma discussão lateral interessante sobre o que os EUA realmente exportam. O XCSme disse, como piada, que pensava que eram "tokens". O Aachen disse que teria pensado em publicidade e taxas de transação, mas ficou surpreendido pelos aviões: "quantos aviões pode o mundo precisar para que seja comum estar no topo das exportações do país mais rico?"

Sofia Almeida: O cpgxiii responde: aviões de linha aérea e aviões militares são caros. Considera que quase toda a capacidade de produção de aeronaves da Boeing e da Lockheed-Martin, bem como a capacidade de produção de motores da GE e da P&W, estão reservadas por anos que vêm. E, ao contrário da Airbus, que tem múltiplas plantas de montagem final pelo mundo, a Boeing só faz montagem final nos EUA.

Rafael Costa: E o graemep explica os farmacêuticos: porque os farmacêuticos in-patent são muito mais caros que os out-of-patent, o valor monetário é muito maior que o maior volume dos genéricos. O custo de os fazer não é realmente importante.

Rafael Costa: E o michaelt nota que muitas empresas americanas fabricam exclusivamente no Extremo Oriente — se um europeu compra um produto "feito por" Apple ou Nvidia ou Nike ou Levi's, isso não é uma exportação americana; é uma exportação da Indonésia, China, Vietname, Taiwan, ou onde for. A América ainda recebe os lucros, no entanto.

Sofia Almeida: E o JumpCrisscross faz uma distinção importante: bens versus serviços. Usamos a palavra "exportações" para nos referirmos apenas aos primeiros na América, o que é anacrónico. E o XCSme pergunta se, dado o market cap de tantas empresas de IA avaliadas em biliões, faria sentido. O WJW responde que faria sentido se as empresas de IA estivessem racionalmente avaliadas — mas não estão, por isso não faz.

Rafael Costa: E do ouro, passamos para a energia. A energia solar ultrapassou a nuclear no mundo pela primeira vez.

Sofia Almeida: Segundo o Relatório de Estado da Indústria Nuclear Mundial — o WNISR 2026 —, supervisionado pelo consultor francês de energia nuclear Mycle Schneider, a geração solar global ultrapassou a nuclear pela primeira vez. Em março de 2025, a eólica ultrapassou a nuclear mensalmente, e em abril foi a solar — a primeira vez que a geração solar mensal global excedeu a produção nuclear.

Rafael Costa: E de março de 2025 até junho de 2026, ou a solar ou a eólica geraram mais eletricidade que a nuclear todos os meses. Em março, abril e maio de 2026, ambas as tecnologias ultrapassaram independentemente a geração nuclear.

Sofia Almeida: E o fosso está a alargar. Em 2025, a capacidade solar global aumentou 510 GW para 2.383 GW — um aumento de vinte e sete por cento em relação ao ano anterior. A eólica acrescentou um recorde de 159 GW, para chegar a 1.291 GW — um aumento de catorze por cento. Em comparação, a capacidade nuclear instalada subiu apenas 1,5 GW para 399,5 GW, enquanto a capacidade nuclear operacional desceu 0,5 GW para 368,6 GW.

Rafael Costa: E o relatório nota que a capacidade nuclear se manteve essencialmente plana durante mais de vinte e cinco anos, enquanto a eólica e, particularmente, a solar expandiram rapidamente. E os números do relatório são, segundo eles próprios, relativamente conservadores: dados mais recentes do IEA PVPS indicam que as adições globais de PV atingiram cerca de 690 GW em 2025, cerca de 180 GW mais que o número usado pelo WNISR.

Sofia Almeida: O Schneider diz ao pv magazine: "A realidade da indústria nuclear no terreno é bastante sóbria para aqueles que esperavam encontrar um sector em expansão." Nota que a Holtec, uma empresa nuclear americana, suspendeu uma IPO dias antes da saída prevista para a bolsa, na qual esperava levantar quase um bilião de dólares. E o seu par, a Fermi, perdeu cerca de oitenta por cento do valor das suas ações desde que foi listada pela primeira vez em outubro de 2025.

Rafael Costa: E a razão? "Estas empresas têm pouco ou nada para mostrar no terreno para convencer os investidores a continuar a fornecer dinheiro." Enquanto isso, a frota nuclear operacional mundial aumentou a produção em 1,1 por cento — com a produção a descer fora da China — enquanto a geração solar global subiu uns espantosos trinta por cento, ultrapassando a produção elétrica anual nuclear.

Sofia Almeida: E na discussão, há uma análise que vale a pena. O gustavus fica surpreendido: apesar de uma implementação "quase fanática" da solar por quase todos os grandes governos durante mais de vinte anos, e virtualmente nenhuma nova central nuclear durante trinta, a solar apenas ultrapassou a nuclear agora. E lembra o clássico xkcd sobre escala logarítmica.

Rafael Costa: Mas vários respondem que a premissa está errada. O jkahrs595 diz que "implementação fanática" não é suportada pelas estatísticas do artigo, e cita o aumento de vinte e sete por cento no último ano — ou seja, um quarto do crescimento total foi no último ano. O maxerickson acrescenta que a maior parte foi instalada nos últimos quatro a cinco anos, e que ainda estamos a acelerar.

Sofia Almeida: E o tdb7893 diz que definitivamente não descreveria a implementação da solar como "fanática" pela maioria dos governos, especialmente há vinte anos — o crescimento da solar é muito recente, e uma enorme porção da infra-estrutura solar do mundo é apenas dos últimos cinco anos. E o dgacmu explica o padrão: "Esse é exatamente o comportamento que esperarias de algo a crescer exponencialmente — parece lento no início e depois de repente ultrapassa as coisas.

Sofia Almeida: Vinte e três a vinte e sete por cento de crescimento anual leva tempo a realmente ganhar velocidade."

Rafael Costa: E há também um debate sobre estética. O trophycase diz que é realmente triste como a solar é feia: milhas e milhas de belo e pacífico deserto aberto são arruinadas, e chama-lhe uma tragédia ambiental. O ape4 responde que não está a olhar para todos os factores: "Eu olho para a solar e acho bela pelo que está a substituir."

Sofia Almeida: E o toomuchtodo desenvolve: diz que a solar PV de escala de utilidade restaura desertos, e complementa casos de uso agrícola — a agrivoltaica. E faz uma defesa quase poética: acredita que hardware limpo, de estado sólido, que produzirá de forma fiável energia de baixo carbono durante décadas sem causar danos, e potencialmente contribuindo benefícios positivos para o que o rodeia, sem outros inputs necessários, é incrivelmente belo. Como a simplicidade, é a máxima sofisticação — da Vinci.

Sofia Almeida: E cita a Grande Muralha Solar chinesa, e artigos sobre fazendas solares no deserto que podem aumentar energia, rendimentos e ecossistemas.

Rafael Costa: E há uma nota sobre nuclear que vale a pena: o tempest_ diz que a China está a construir muita nuclear, e que na província dele, no Canadá, estão a planear expandir a infra-estrutura nuclear — veremos. Mas a solar prospera em lugares sem redes estabelecidas e fiáveis, e tem muito menos barreira de entrada. São duas ferramentas diferentes para coisas diferentes.

Sofia Almeida: E o happytoexplain, que se diz maioritariamente pró-nuclear, faz uma crítica técnica ao xkcd que o gustavus citou: diz que o comic é engraçado, mas claro que extraímos energia de açúcar, carvão, gordura e gasolina via oxidação, enquanto extraímos energia do urânio via fissão. A variável mais relevante demonstrada no comic é processo químico versus processo nuclear, não quanta energia está "no" combustível. E essa comparação é muito menos clara.

Rafael Costa: E do mundo da energia, uma pausa... com patos. O celphase apresentou no Show HN o Duck Pond — o Lago dos Patos.

Sofia Almeida: E é encantador. Um pequeno lago de patos vivo: um bando de mallards — três fêmeas, dois machos e duas ninhadas de patinhos — a passar o dia. Sem gravações. Cada grasnada é sintetizada em tempo real, e ouvida a partir de onde te encontras na margem.

Rafael Costa: Há um toggle de auscultadores, e anéis sonoros a cinco, dez, vinte e quarenta metros — portanto, a simulação tem em conta a distância. E as teclas: p para ervilhas, h para auscultadores, espaço para pausa.

Sofia Almeida: As reações são unânimes no entusiasmo. O Hugsbox: "Adoro isto. Obrigado OP." O bigtech: "Finalmente!" O yhjc2692: "Isto é absolutamente fantástico." O setnone confirma: "confirmo que isto é de muito alta qualidade." E o chimneychanga: "isso foi divertido, obrigado."

Rafael Costa: E o LewisOrton faz uma referência que os fãs de ficção científica vão apanhar: "Os androides alimentam patos elétricos?" — um trocadilho com "Do Androids Dream of Electric Sheep?" E acrescenta que descobriu que funciona muito bem como ruído branco.

Sofia Almeida: E o RonanSoleste adora, mas tem uma pequena queixa: gostaria de poder passear à volta do lago, e os patos parecem segui-lo muito. Problemas menores, diz ele.

Rafael Costa: Mas a conversa deriva para um tema inesperado: o que alimentar patos. O dvh conta uma história pessoal: não sabe quem inventou a ideia de que o pão é mau para os patos, mas isso arruinou um sítio de pesca. Havia um lugar onde as pessoas alimentavam pão aos patos, e pescar à mosca lá era fantástico — carpas, barbos, percas-sol, ruivos eroachas, tudo em moscas secas.

Rafael Costa: Depois alguém pôs um cartaz a dizer que o pão prejudica os patos, as pessoas deixaram de alimentá-los, e passado um tempo todos os peixes desapareceram.

Sofia Almeida: E o RonanSoleste responde com firmeza: "Continua a ser mau para eles." E o vinckr explica porquê, com uma lista: o pão não tem muito valor nutricional — especialmente o tipo de "pão" branco comum nos EUA. Enche o estômago depressa, por isso não procuram os alimentos que comeriam naturalmente. Atirar pão num sítio pode levar à sobrelotação — que é o que aconteceu no sítio de pesca do dvh — o que stressa os animais. Também defecam muito num sítio, o que leva a uma série de problemas.

Sofia Almeida: E o pão não comido causa crescimento de algas, o que leva a doenças e pragas.

Rafael Costa: E a recomendação do vinckr: melhor alimentá-los com ervilhas — como nesta aplicação gira — ou, diz ter ouvido, uvas congeladas cortadas. O tamimio sugere sementes de aves selvagens da loja de animais local.

Sofia Almeida: E o whartung conta a sua própria história: costumavam alimentar os patos no lago do parque. Compravam comida de aves na loja local de tack and feed. Havia dezenas deles. Quando se assustavam e todos começavam a voar, a brisa era notável — o que é uma imagem fantástica. Mas o parque eventualmente pôs um cartaz a proibir a alimentação, e retirou os bancos.

Rafael Costa: E do pato sintetizado passamos a um experimento caseiro que é quase inacreditável: tornar frango transparente usando pigmento de Doritos.

Sofia Almeida: O blog é do CasualPhysicsEnjoyer, e o autor conta que uma amiga, a Adaobi Adibe, lhe enviou um paper científico: "Achieving optical transparency in live animals with absorbing molecules". Os autores tornam tecidos biológicos — como peito de frango — transparentes, mergulhando-os numa solução de tartrazina.

Rafael Costa: E a tartrazina é o corante alimentar amarelo-alaranjado muito brilhante que se encontra nos Doritos. O autor chama-lhe "pó de Dorito" — mas, como o gus_massa esclarece na discussão, usam tartrazina pura, não Doritos esmagados. Precisam de muito corante para alterar o índice de refração interno e tornar a carne transparente, por isso escolhem-no. E nota que a EFSA concluiu que a molécula não tem efeitos adversos nem toxicidade sistémica em doses até dois gramas por quilograma de peso corporal.

Sofia Almeida: O mecanismo é elegante: o corante altera o índice de refração da água, empurrando-o até igualar o das soluções de proteína e lípido. Elimina-se a dispersão de luz, e o objeto torna-se transparente. O adrian_b faz uma analogia com a neve: exatamente como a neve que passa de opaca a transparente quando derrete. A opacidade era devida apenas ao índice de refração variável, que causa dispersão de luz.

Rafael Costa: E o adrian_b nota também o que não pode ser tornado transparente: o sangue dos vertebrados é opaco devido à hemoglobina, e não pode ser tornado transparente. O mesmo vale para a retina pigmentada dos olhos. Por isso, rãs e peixes transparentes ainda têm olhos e vasos sanguíneos opacos. Onde pigmentos como o heme do sangue ou a melanina da pele estão ausentes, a opacidade é devida apenas ao índice de refração variável — e nesses casos, o tecido pode ser tornado transparente.

Sofia Almeida: O experimento caseiro do blogueiro: comprou tartrazina com oitenta por cento de conteúdo de corante, preparou três concentrações — uma de controlo com zero, uma de cerca de 0,19 M, e uma de cerca de 0,56 M. Cortou fatias de cinco milímetros de peito de frango do Tesco, e cortou três pedaços de cerca de quinze milímetros de comprimento.

Rafael Costa: Primeira tentativa: seis horas em molho à temperatura ambiente. A solução mais concentrada falhou — a tartrazina parece ter cristalizado, ficou toda crocante. Na concentração média, o frango parecia gelatinoso, mas não era transparente. E o controlo continuava completamente opaco.

Sofia Almeida: Segunda tentativa: doze horas, em tubos de ensaio cobertos, para mitigar o risco de segurança alimentar. O resultado: havia alguma transparência visível — o autor conseguiu transparência parcial, mas não ao nível do paper. O frango ficou com uma qualidade visual de goma — de urso de goma. Diz que quase lhe apetece mastigá-lo, se não lhe desse salmonela.

Rafael Costa: E uma nota importante: a textura ao tato manteve-se igual. O paper original usava 0,62 M, a quarenta graus, com uma máquina agitadora — o autor não conseguiu fazer isso em segurança, nem tinha o equipamento, por isso alterou o protocolo. E planeia uma replicação mais ambiciosa em breve.

Sofia Almeida: E na discussão, o waltbosz imagina a história de origem: gosta de pensar que alguém queria fazer frango com sabor a Doritos e descobriu acidentalmente que o molho tornava o peito transparente. O poly2it pergunta se a coloração se aplica e persiste em tecido vivo, e o swiftcoder responde: persistir, não, mas já foi testado antes em tecido vivo, com um link para a NSF sobre "janela para o corpo — pele invisível".

Rafael Costa: E há algum humor leve: o nozzlegear pergunta ao comrade1234 que dano poderia ter feito aos comandos dos amigos de PlayStation — uma referência a uma história anterior sobre uma coisa em forma de Cheeto que não passava de cobertura de Cheeto. E o rzzzt sugere que o comrade1234 provavelmente ficou transparente. O not_a_bot_4sho remata: "Foi assim que o Kevin Bacon se preparou para o papel no Hollow Man."

Sofia Almeida: E do frango transparente passamos a uma história de burocracia — de outro tipo completamente. O Derek Wessman escreveu sobre tornar-se cidadão do Japão.

Rafael Costa: E ele é transparente sobre o que o texto é: "Tornei-me cidadão do Japão. Deixem-me partilhar. Alguns são a minha experiência anedótica, alguns a minha opinião, e alguns factos. Analisar qual é qual em cada frase não vai acontecer."

Sofia Almeida: E acrescenta um aviso importante: depois de ver a reação online, diz que se estás a pensar candidatares-te à naturalização, encoraja-te a consultar o teu Legal Affairs Bureau local. Actuar de acordo com o que te disserem lá, não com o que ouves ou lês na internet, em lugares como este blogue de um gringo aleatório. E explica que a lista de documentos exigidos é intimidante, mas o caso de cada um não será igual ao de mais ninguém.

Sofia Almeida: Tratam cada candidatura individualmente, por isso a boca do cavalo é a do Ministério da Justiça, não a dele.

Rafael Costa: A história começa em 2012, quando ele estava no Legal Affairs Bureau para outra coisa e decidiu que queria começar a naturalizar. Já pensava nisso há muito tempo. Entrou no departamento que trata da naturalização.

Sofia Almeida: E ele descreve: o Governo do Japão desenhou intencionalmente o processo de obtenção da cidadania japonesa para ser opaco, exigir documentação extensa, levar pelo menos um ano, e ter um resultado baseado parcialmente em julgamento subjetivo. Na primeira visita, um burocrata idoso do Ministério da Justiça gentilmente ouviu a sua consulta inicial — que normalmente requer marcação, mas ele acomodou-o. E nota que isso não aconteceria hoje; há far mais pessoas a candidatar-se agora à cidadania.

Rafael Costa: O bureau para Hachioji estava então em Minami Osawa, dentro dos limites da cidade mas longe, na orla sul da cidade. Leva uns quarenta minutos de carro ou comboio. Felizmente, o bureau agora está de volta à parte principal da cidade, perto do tribunal.

Sofia Almeida: E numa pequena sala de consulta — que ele quase escreve como "interrogação" — o burocrata fez perguntas de rotina sobre a sua nacionalidade, número de anos no Japão, estado civil e familiar, e assim. E ele orgulhava-se da sua fluência em japonês, atividade comunitária, e experiência a trabalhar na política japonesa. Subconscientemente, acha que esperava ser reconhecido por ultrapassar a especialidade.

Sofia Almeida: Mas o burocrata tinha visto muitas pessoas como ele, e sabia como amortecer expectativas: descrever o processo.

Rafael Costa: E a lista de documentos preliminares — que ele organiza "por memória enevoada, e mais tarde ajudado por referir agora às folhas de cálculo que foi obrigado a criar" — é impressionante. Uma certidão de nascimento original para cada um dos seus pais e cada um dos seus seis irmãos. Cópia original da prova do casamento dos pais. Uma declaração assinada e datada pela mãe, atestando que ela deu à luz a ele.

Sofia Almeida: Lista dos membros da família da mulher, incluindo nomes, datas de nascimento, nacionalidades, e estado atual da interação com ele. Uma declaração sobre se cada um desses indivíduos queria também naturalizar, e se estavam de acordo ou oposição à sua naturalização. Cópia original da sua certidão de nascimento. Prova do casamento.

Rafael Costa: Lista de todos os endereços de todos os lugares onde alguma vez viveu, com as datas de início e fim de viver lá. História académica completa, começando no pré-escolar. Quaisquer diplomas ou graus obtidos nessa história académica. História de trabalho completa com nome da empresa, posições, e datas de início e saída.

Sofia Almeida: E as traduções: tudo o que se originou em inglês tinha de ser submetido em forma original e também traduzido para japonês, com um certificado da precisão da tradução. As traduções japonesas não podiam incluir letras do alfabeto — apenas kanji, hiragana, katakana, ou números arábicos. E acrescenta, com humor: "Suponho que devamos agradecer que numerais kanji não fossem exigidos. Mas cada nome próprio no katakana mais estranho."

Rafael Costa: Documentos japoneses com um original e uma cópia. Certificado de residência. Cartão de residência Zairyu. Carta de condução. Todas as declarações fiscais dele e da mulher de alguns anos — não se lembra quantos. Declarações de retenções de todos os empregadores ou fontes de rendimento para ele e a mulher. Prova de que ele e a mulher estavam sujeitos e tinham pago os impostos aplicáveis ao National Tax Agency, a Tóquio, e a Hachioji, respectivamente.

Sofia Almeida: Prova de pagamento de prémios de seguro de saúde. Prova, emitida pelo Pension Office, de que pagou o seu seguro de emprego. E tudo isto ia ser avaliado para ver que não só tinha pago, mas pago a tempo, durante aqueles anos.

Rafael Costa: Registo de condução oficial emitido pela National Police Agency, listando quaisquer violações de trânsito durante o máximo de dez anos, ou seja lá o que for, que tais dados sejam retidos. E tinha uma empresa, tinha? Então também fornecer, pelo mesmo número de anos, todas as suas demonstrações financeiras, prova de pagamento de impostos corporativos nacionais, impostos sobre consumo, impostos prefecturais, impostos municipais, impostos retidos de empregados, seguro de emprego.

Rafael Costa: O registo da empresa, os Artigos de Incorporação, uma lista de clientes, e uma descrição do negócio e das suas perspectivas.

Sofia Almeida: E o registo familiar da mulher. Uma declaração da mulher de que estavam de facto casados e tinham de facto tido aqueles filhos juntos. Uma declaração da mulher indicando se concordava ou se opunha à sua naturalização. E três fotografias da família juntos em ocasiões separadas.

Rafael Costa: E a discussão no Hacker News é interessante, mas não é toda amável. O contingencies diz: "Tendo aprendido a minha parte de línguas e conquistado burocracia e processos através delas, a maneira como este gajo escreve chega a mim como vomitivamente glib." O que é uma crítica ao tom, mais que ao conteúdo.

Sofia Almeida: E o sonar_un parou de ler quando ele disse que esperou uma eternidade para se naturalizar, saltando seis anos, e depois disse que nunca recebeu o seu cartão de residente permanente, por isso estava a viver de vistos renovados, e achavam estranho. O sonar_un diz: "É estranho. Muitas das coisas que ele disse que precisava, teriam sido feitas na parte de residência permanente do seu tempo no Japão. Como é em qualquer país."

Rafael Costa: O klipt traz um facto que complica isso: pensava que o Japão exige dez anos de residência para residência permanente, mas apenas cinco anos de residência para naturalizar — em cujo caso não seria surpreendente que muitas pessoas se naturalizem antes de obter a residência permanente. Mas o rootsudo responde: "Já não."

Sofia Almeida: O gcanyon tem uma reação muito humana à lista de endereços: "Bem, riscar o Japão da minha lista. Eu não seria capaz de produzir essa lista de residência sob quaisquer circunstâncias." E o Qazpqaz recomenda: "Posso recomendar manter uma lista a partir de agora. Ajudou-me bastante vezes." Mas o jacquesm discorda: "Qualquer coisa que precise desses dados, posso passar sem. Além disso, eles nunca acreditariam em primeiro lugar."

Rafael Costa: E o charlieyu1 tem uma perspectiva diferente, baseada na experiência no Reino Unido: uma vez que vives no país por um tempo, podes praticamente fazer qualquer coisa e as pessoas não se importam nada com o teu estatuto de residente. Para a vida diária no Reino Unido, ele só precisa do endereço e da carta de condução. Tens praticamente a sensação de que estarás bem sem te incomodares com a papelada — é assim que as coisas funcionam nos últimos vinte a cinquenta anos.

Sofia Almeida: Mas o GalaxyNova reage: "isso é... realmente mau." E o tene80i pergunta o que quer dizer: "Qualquer grande empregador no Reino Unido precisará de mais que isso para trabalhares lá." E o elmer2 contesta: diz que isso não é verdade. Conhecia alguém que viveu ilegalmente no Reino Unido durante quase uma década. Só conseguia empregos terríveis em restaurantes que não reportavam nada ao governo, e foram visitados pela imigração várias vezes.

Sofia Almeida: Mesmo depois de obter um advogado de imigração, não conseguiu ajudar com a cidadania. O que finalmente funcionou foi ter um filho e casar com um cidadão.

Rafael Costa: E fechamos com uma notícia dura de política internacional. A notícia é do Le Monde, e é grave.

Sofia Almeida: No sábado, dia 17 de outubro, colonos israelitas atacaram um comboio de diplomatas europeus e agrediram um prefeito francês em visita, segundo testemunhas e diplomatas que falaram à Agência France-Presse. Os carros das missões da França, Bélgica e Polónia tinham levado diplomatas para visitar Taybeh, uma aldeia maioritariamente cristã da Cisjordânia ocupada.

Rafael Costa: Quando colonos desceram para impedir os palestinianos de apanhar azeitonas, segundo as testemunhas. Colonos mascarados fizeram declarações agressivas aos diplomatas antes de pontapearem Bernard Baudoux, de setenta e oito anos, o prefeito de esquerda da vila francesa de Aulnoye-Aymeries, no norte. Segundo testemunhas e diplomatas que confirmaram a sua identidade.

Sofia Almeida: Duas pessoas que falaram com ele disseram que ficou ferido mas não precisou de ir ao hospital. E Baudoux, depois de ser atacado, disse: "Penso que se os colonos se comportam assim, há tolerância por parte do governo israelita."

Rafael Costa: E a discussão no Hacker News, embora curta, é pesada. O ciconia diz que é importante notar que isto não é um incidente isolado, e que esta história só chegou às notícias porque as vítimas são dignitários europeus.

Rafael Costa: Diz que esses pogroms — "não há outra palavra para descrever esses incidentes" — acontecem diariamente, e que a escala, com múltiplos ataques por dia, torna evidente que não é apenas violência aleatória, mas uma campanha coordenada para limpar etnicamente a população palestiniana rural da Cisjordânia.

Sofia Almeida: O mschuster91 responde que é "campanha eleitoral, nada mais, nada menos." E noutra mensagem, o mesmo mschuster91 diz francamente que isto está fora de tópico, e que toda a thread vai degenerar numa guerra de chamas.

Rafael Costa: E é um lugar difícil para terminar, mas é onde o mundo está. Na próxima edição, espero que tenhamos histórias mais leves... e talvez menos 503.

Sofia Almeida: Obrigado por nos ouvirem, e até à próxima.