
1027 | Ferramentas da semana: agentes, código e pequenos apps
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Neste episódio, percorremos ferramentas para agentes de código e desenvolvimento, utilitários de privacidade e FinOps, e uma leva de apps de consumo com IA — do monitoramento de custos ao Azure até caméscopos nostálgicos no iPhone.
Linha do tempo
- 00:00:04 Abertura
- 00:00:56 Gerir agentes de código com segurança
- 00:04:55 Ambientes de trabalho para executar e observar agentes
- 00:08:08 Segurança, conformidade e privacidade no fluxo de dev
- 00:10:24 Otimizar custos e infraestrutura: cloud e solar
- 00:12:18 Acesso a modelos de IA e assistentes autónomos
- 00:14:50 Assistentes que agem por si no dia a dia
- 00:17:05 Ferramentas criativas: visuais e som
- 00:18:50 Apps nativas locais para o dia a dia
- 00:21:35 Apps de consumo: limitar e relembrar
- 00:23:57 Encerramento
Links relacionados
- AVP
- ManyAgents
- VibeiDE
- tabsh
- AI Bridge
- Standfast
- omerta
- PDF Accessibility Checker by WebYes
- Helio
- CloudKnife
- AllModels
- Strawberry 1.0
- MiniMax M3.1 Flash
- Kiwi
- Jobmate AI
- N8N Chat UI
- SurgePix
- 2G
- desigma
- WhoIsCooking
- Loqui
- Mozy
- Flipcorder
Este episódio é produzido pela Bri. O Bri usa tecnologia avançada de IA para transformar os feeds importantes para você em podcasts feitos para ouvir. Fale conosco em hi@bri.so.
Transcript
Sofia Almeida: Boa tarde, e bem-vindos a mais um episódio do nosso briefing diário. Eu sou a Sofia Almeida.
Rafael Costa: E eu sou o Rafael Costa. Como sempre, passámos o dia a olhar para os lançamentos que chegaram até nós e escolhemos um conjunto pequeno, mas bem definido, de produtos que merecem mais do que uma linha. A ideia não é fazer catálogo — é perceber o que cada coisa resolve realmente, para quem, e onde estão as dúvidas.
Sofia Almeida: E se houver um fio que liga quase tudo hoje, é este: estamos claramente numa fase em que já não falamos de "usar IA", falamos de gerir IA. Gerir agentes que escrevem código, gerir custos, gerir o nosso próprio dia enquanto as máquinas nos poupam trabalho. Vamos começar exatamente aí — pelo código e pelos agentes que o escrevem.
Rafael Costa: Sim, e aqui tenho três lançamentos que, vistos em conjunto, dizem algo sobre a direção da indústria. O primeiro é o AVP, um protocolo open source de gestão de versões para agentes de código. A proposta é muito específica: cada mudança feita por um agente é provada sobre a head exata da branch main, e o resultado são commits Git ordinários.
Sofia Almeida: Espera, deixa-me perceber bem isso, porque "provada sobre a head exata" é uma frase que soa técnica mas que na prática resolve um problema que qualquer pessoa que já usou um agente de código conhece.
Rafael Costa: Exatamente. O problema é este: um agente começa a trabalhar numa base de código, e entretanto o main avança. Quando o agente termina, as suas alterações podem ter sido feitas sobre um estado do código que já não é o atual. O AVP diz que não aceita isso — cada mudança do agente tem de ser provada sobre a head exata do main no momento em que se integra. E como o resultado são commits Git comuns, não introduz nenhum sistema paralelo, nenhum formato novo de repositório.
Rafael Costa: Continua tudo dentro do Git que as equipas já usam.
Sofia Almeida: Isso é importante porque é aí que os protocolos deste tipo vivem ou morrem. Se me obrigar a migrar para uma ferramenta nova, adoto por uma semana e abandono. Se for Git normal, é transparente para toda a equipa, incluindo quem não usa agentes. Mas aqui vale a pena ser honesto: o que temos é a descrição do criador. Não há, no que nos chegou, evidência de equipas grandes a usar isto em produção. É uma promessa de segurança de integração, não um resultado verificado.
Rafael Costa: Pois, e é a postura certa — tratar descrições de criadores como alegações. Dito isso, a alegação é coerente com o problema real. E o AVP não está sozinho neste tema. Passando para o segundo, o ManyAgents, que ataca outro pedaço do mesmo problema: a organização. É uma aplicação Mac que orquestra uma equipa de agentes Claude Code e Codex, e cada agente trabalha no seu próprio worktree git.
Sofia Almeida: Aquele detalhe dos worktrees é o mais interessante, porque é a resposta de engenharia à mesma pergunta do AVP: como evitamos que vários agentes pisem uns aos outros?
Rafael Costa: É. Se cada agente tem o seu worktree, trabalham em cópias separadas do repositório, em paralelo, sem conflitos diretos. E o ManyAgents adiciona duas peças que me parecem muito bem pensadas. Primeiro, um revisor em modo só de leitura — ou seja, um agente que olha para o trabalho dos outros sem poder alterar nada. Segundo, um navegador integrado, para que o agente possa verificar o resultado no contexto real, não apenas no código.
Sofia Almeida: E repara como isto conversa com o AVP: o ManyAgents resolve a separação durante o trabalho, o AVP resolve a prova no momento da integração. São camadas diferentes do mesmo problema. E há um terceiro lançamento que completa o quadro — o VibeiDE, que é um ambiente de trabalho com filas de tarefas paralelas para Codex, Claude Code e OpenCode.
Rafael Costa: Sim, e o VibeiDE tem duas características que valem destaque. Cada tarefa arranca com uma sessão fresca — o que evita que contexto acumulado de uma tarefa contamine outra. E, mais importante, cada resultado fica à espera de revisão humana. Não é opcional, é o fluxo: o agente produz, o humano revê.
Sofia Almeida: Isso é quase uma filosofia de produto, não é? Em vez de confiar e corrigir depois, o design já assume que a revisão humana faz parte do ciclo. Agora, a pergunta que fica em aberto — e nós não temos resposta no material que temos — é como estas três camadas vão Integrar-se entre si. Hoje são três produtos independentes. Alguém que queira o rigor do AVP, a orquestração do ManyAgents e as filas do VibeiDE vai ter de as fazer trabalhar juntas por sua conta. Essa é a incógnita real deste espaço.
Rafael Costa: E essa incógnita leva-nos naturalmente ao próximo tema, porque se estás a gerir muitos agentes, precisas de os ver. Precisás de visibilidade. E aí há duas ferramentas que vêm fazer exatamente isso, de formas muito diferentes.
Sofia Almeida: A primeira é o tabsh, que é um demónio — licença MIT — que mostra todas as sessões dos teus agentes de código num quadro Kanban, e o quadro aparece num simples separador do navegador. Os estatutos chegam via hooks, e corre cem por cento local.
Rafael Costa: Gosto da sobriedade disto. Não é uma plataforma, não é um serviço. É um demónio local que responde a uma pergunta: o que estão os meus agentes a fazer neste momento? E estar num separador do navegador significa zero fricção de adoção. Para quem já geriu três ou quatro sessões de agentes ao mesmo tempo em janelas de terminal espalhadas, isto é uma resposta direta a uma dor concreta.
Sofia Almeida: E a segunda ferramenta deste bloco vem por outro ângulo — a infraestrutura por baixo. O AI Bridge é uma aplicação Mac que faz correr Claude Code, Codex, Grok e OpenCode em terminais verdadeiros, agrupa os agentes por responsabilidade, e junta Kubernetes, bases de dados e Slack no mesmo sítio.
Rafael Costa: A palavra-chave aí é "terminais verdadeiros". Não é uma interface que simula o terminal — são os terminais reais, o que significa que não perdes nada do comportamento nativo das ferramentas. E o agrupamento por responsabilidade é interessante: em vez de organizar por projeto, organizas por função — este grupo de agentes trata da infraestrutura, aquele do código, outro das comunicações.
Rafael Costa: Somado ao Kubernetes e às bases de dados no mesmo sítio, o AI Bridge posiciona-se como o ambiente completo onde os agentes vivem.
Sofia Almeida: E nota como o arco fecho: o ManyAgents orquestra, o tabsh observa, o AI Bridge executa e dá infraestrutura. Mas há uma peça de infraestrutura que ninguém nota até falhar — os runners. E aqui entra o Standfast.
Rafael Costa: Sim, o Standfast é uma aplicação gratuita na barra de menus do macOS, e faz uma verificação que cruza duas fontes: o launchd local e a API do GitHub. O objetivo é revelar runners self-hosted do GitHub Actions que estão desconectados.
Sofia Almeida: Isto é um daqueles problemas pequenos e teimosos. Tens um runner self-hosted, o processo morreu ou a máquina reiniciou, e o GitHub pode continuar a pensar durante um tempo que está tudo bem — ou tu pensas que está tudo bem enquanto os jobs ficam à espera. O facto de o Standfast verificar os dois lados — o que a tua máquina diz via launchd e o que o GitHub diz via API — é o que dá credibilidade à deteção. Uma só fonte pode mentir; cruzadas, é mais difícil.
Rafael Costa: E é gratuito, o que para uma ferramenta desta natureza faz todo o sentido — é um utilitário, não um produto de negócio. Muito bem, mantendo-nos no fluxo de trabalho de desenvolvimento, há um segundo bloco aqui que é sobre verificação automática — mas desta vez de segurança e conformidade, não de agentes.
Sofia Almeida: O primeiro é o omerta, que é um CLI e um hook pre-commit. O que faz: deteta valores reais de ficheiros .env no git, mesmo quando estão codificados. Corre offline e — detalhe importante — nunca imprime os valores que encontra.
Rafael Costa: Aquele "mesmo codificados" é o coração da ferramenta. O cenário clássico: alguém faz encoding de um segredo para o poder commitar "temporariamente", ou uma variável real escapa-se para um ficheiro que devia ser um template. Uma deteção simples por nome de ficheiro não apanha isso. O omerta procura valores reais, e como é um hook pre-commit, atua antes de o commit acontecer — o segredo nunca chega ao histórico.
Rafael Costa: E o "nunca imprime" não é cosmético: se uma ferramenta de segurança imprime o segredo no terminal, e o terminal é gravado ou partilhado, a ferramenta que devia proteger cria outro vazamento.
Sofia Almeida: Pois, e é MIT e offline, o que significa que podes usá-lo em qualquer contexto sem enviar código para lado nenhum. Passando ao segundo deste bloco: o PDF Accessibility Checker, da WebYes. É um verificador gratuito de PDFs contra WCAG 2.1 AA e PDF/UA.
Rafael Costa: E aqui o que distingue a proposta não é a verificação em si — há outras ferramentas que verificam acessibilidade — mas a apresentação: os problemas são classificados por gravidade e ficam assinalados na própria página. Isso muda o fluxo de correção. Em vez de uma lista de erros num relatório que alguém tem de decifrar e localizar manualmente, vês exatamente onde está o problema na página.
Rafael Costa: E não pede registo, o que baixa a barreira de entrada para alguém que só quer verificar um documento uma única vez.
Sofia Almeida: O fio comum dos dois é claro: verificação automática apanhando problemas antes de saírem — o omerta antes do commit, o verificador de PDFs antes de o documento circular. Verificação no fluxo, não auditoria a posteriori. E do fluxo de desenvolvimento saltemos para outra infraestrutura que monitorizamos — só que desta vez, custos e energia.
Rafael Costa: Sim, e aqui o contraste é bonito. De um lado, o CloudKnife, uma plataforma FinOps para Azure que gere a otimização de custos de ponta a ponta. Do outro, o Helio, um dashboard solar open source. À primeira vista não têm nada a ver um com o outro, mas ambos são ferramentas de monitorização de infraestrutura — um olha para os custos da cloud, o outro para a energia que chega ao telhado.
Sofia Almeida: O CloudKnife tem uma arquitetura que merece explicação, porque é aí que está a ideia. Tem um núcleo determinista que aplica regras duras. Ou seja: não é um sistema que "sugere" otimizações com base em heurísticas opacas — aplica regras definidas, de forma previsível. Mas antes de executar, há uma etapa de aprovação. Depois de aprovado, executa automaticamente.
Rafael Costa: Isso resolve o dilema clássico do FinOps. Se só sugere, as sugestões ficam por tratar. Se executa tudo sozinho, ninguém confia. O CloudKnife tenta o meio-termo: a primeira vez vês e aprovas, e o determinismo garante que a mesma regra produz a mesma decisão — o que é a base da confiança a longo prazo.
Sofia Almeida: E o Helio vai na direção oposta em termos de modelo. É um dashboard solar open source, MIT, que lê o teu contador do onduleur via ShineMonitor. É auto-hospedável no Vercel e — nota isto — funciona sem base de dados.
Rafael Costa: Sem base de dados é um detalhe de arquitetura revelador: simplifica drasticamente a manutenção de quem se auto-hospeda. Menos uma peça para fazer backup, menos uma peça para falhar. Os dois produtos partilham a mesma preferência por ferramentas transparentes e auto-geridas — no CloudKnife é o núcleo determinista, que podes auditar pelas regras; no Helio é o código aberto e a auto-hospedagem. Nenhuma caixa preta a decidir os teus custos ou a mostrar os teus dados.
Sofia Almeida: De infraestrutura para os modelos que correm nela. E aqui há três lançamentos que pintam um quadro interessante de onde o acesso a IA está a ir.
Rafael Costa: O primeiro é o AllModels, que expõe um único endpoint para modelos abliterated — ou seja, modelos sem as restrições habituais de filtragem — com fallback automático entre fornecedores. Seleciona por modalidade e compara preços.
Sofia Almeida: A parte do fallback e da comparação de preços é a parte que qualquer pessoa entende: um endpoint, e se um fornecedor falha ou fica caro, o router desvia. O que é mais discutível é a primeira parte — os modelos abliterated. Aqui temos de ser honestos: a qualidade desses modelos, e o que se perde ou ganha ao remover as restrições, é uma incógnita real. O material que temos descreve o mecanismo, não atesta a qualidade dos modelos por trás.
Rafael Costa: Pois. E no extremo oposto do espectro está o MiniMax M3.1 Flash, um modelo agnético que alegadamente é cerca de três vezes mais rápido e setenta por cento mais barato, com mais de duzentos tokens por segundo, aos preços de 0,15 dólares por milhão de tokens de entrada e 0,60 por milhão de saída.
Sofia Almeida: Nota a palavra "alegadamente" — são números do lançamento, não benchmarks independentes. Mas se se confirmarem sequencialmente, o que este preço diz é que a camada de custo por token está a colapsar. Quando um modelo agnético — feito para agir, não só para conversar — fica a este preço, o custo de fazer um agente tentar, falhar e voltar a tentar deixa de ser proibitivo. E isso muda o que é economicamente racional construir.
Rafael Costa: E entre o router e o modelo barato, há o Strawberry 1.0, um navegador de IA com uma ideia chamada "Companions" — companheiros partilhados em equipa, que automatizam pesquisa, reuniões e follow-up dentro das contas que já tens ligadas.
Sofia Almeida: Aí está o padrão do dia: já não pdes apenas conversar com um modelo — há agentes que agem por ti, nas tuas contas reais. O que fica em aberto, e convém dizê-lo, é a fiabilidade. Delegar ações em contas reais — email, calendário, o que for — exige um nível de confiança que nenhum destes materiais prova. São alegações de capacidade, não resultados verificados.
Rafael Costa: E essa fiabilidade é precisamente a ponte para o próximo bloco, que é sobre assistentes que agem no dia a dia de cada um de nós — com o detalhe de que aqui há um produto que desenhou a confiança no fluxo desde o início.
Sofia Almeida: O Kiwi. É um assistente de IA proativo que envia um SMS na altura certa — o voo está atrasado, a encomenda chegou, o sábado ficou livre — e depois de um sim, age, via iMessage ou WhatsApp. Está gratuito em piloto.
Rafael Costa: A sequência importa: o Kiwi não age por iniciativa própria. Envia a mensagem, espera o teu sim, e só depois age. Esse consentimento explícito é a resposta de produto à mesma pergunta da fiabilidade que levantámos. A pergunta aberta é a que é sempre neste modelo: quão boa é a deteção do "momento certo"? Se um SMS chega na altura errada, o assistente proativo torna-se ruído. E o "gratuito em piloto" sugere que o modelo de negócio ainda está a ser definido.
Sofia Almeida: Depois há o Jobmate AI, uma extensão para Chrome e Firefox cujo agente candidata-se automaticamente a empregos, pré-preenche formulários e acompanha as candidaturas.
Rafael Costa: Aqui o problema de utilizador é indiscutível — candidatar-se a empregos é um mar de formulários repetitivos. E a parte do acompanhamento das candidaturas é um extra que a maioria das pessoas gere numa folha de cálculo. O que fica por saber é a qualidade das candidaturas automáticas: um formulário mal preenchido num processo de emprego pode custar mais do que o tempo que poupou. São afirmações do criador; não temos evidência de resultados.
Sofia Almeida: E o terceiro deste bloco é uma ferramenta para quem constrói este tipo de experiências: o N8N Chat UI, um construtor no-code de widgets de chat de IA personalizáveis para workflows n8n, com API JavaScript, streaming e plugins.
Rafael Costa: Isto encaixa-se bem no quadro: se os assistentes agem por nós, alguém precisa de os construir — e o N8N Chat UI baixa a barreira para construir a interface de conversa em cima de workflows que já existem. Sem código, com streaming, com plugins. É a camada de interface do mesmo movimento.
Sofia Almeida: Da produtividade vamos dar uma volta para o lado criativo. E aqui há dois produtos que, embora um seja visual e outro seja som, partilham algo: ambos usam IA como motor de criação, e um deles vai buscar a estética ao passado.
Rafael Costa: O primeiro é o SurgePix, que cria visuais com IA mas com uma abordagem de edição que parece saída do design tradicional: edição por camadas, texto editável, e um kit de marca.
Sofia Almeida: A distinção aqui é importante. A geração de imagens por IA típica dá-te um bitmap — se quiseres mudar o texto, regeneras e rezas para sair diferente. O SurgePix traz a estrutura de camadas para dentro do fluxo, com texto que permanece editável, o que é essencial para quem produz material de marca repetidamente. E há um detalhe para developers: skills de agentes open source para Claude Code e Cursor — ou seja, também é utilizável a partir do teu agente de código, não só pela interface.
Rafael Costa: E o segundo é o 2G, um sampler gratuito para Windows e macOS que imita um telemóvel do início dos anos 2000. A síntese é neural — descreves o som e ele gera — mas com restrições de época: dezasseis kilohertz, mono, coluna simulada, quatro vozes.
Sofia Almeida: E as restrições são o produto. Não é um sampler que "soa vintage" por filtro — é a arquitetura completa do som de um telemóvel antigo, do sample rate ao alto-falante. Para quem faz música eletrónica ou desenho sonoro, a limitação é precisamente a fonte da identidade. Gostava de salientar que é gratuito, o que o torna fácil de experimentar sem compromisso.
Rafael Costa: Muito bem, e agora um bloco que reúne três aplicações nativas e locais — a filosofia comum é responder rápido e respeitar a privacidade, processando no teu próprio computador.
Sofia Almeida: O primeiro é o desigma, uma alternativa gratuita ao Figma escrita em Rust, nativa para macOS, Windows e Linux, que funciona offline. Aceita importação de ficheiros .fig, e tem colaboração em direto peer-to-peer cifrada. Está em alpha prévio.
Rafael Costa: Três coisas a destacar. Primeira: Rust nativo, o que promete — atenção, promete — desempenho que aplicações web-based não têm. Segunda: importação de .fig, que é o formato do Figma — e isso é a decisão de produto mais inteligente de todas, porque o maior obstáculo a trocar de ferramenta de design é o arquivo de trabalho existente. Terceira: colaboração P2P cifrada, em vez de passar por servidores de terceiros — o que reforça a posição de privacidade.
Rafael Costa: Agora, o "alpha prévio" é a grande ressalva: é uma promessa em construção, e alpha significa exatamente isso.
Sofia Almeida: Segunda deste bloco: o WhoIsCooking, uma aplicação Mac de cinco dólares que mostra qual agente de IA está a aquecer o Apple Silicon, move o trabalho para os núcleos de eficiência, e consegue uma redução de cerca de catorze graus sem matar processos.
Rafael Costa: Esta é quase sintomática do momento: chegámos ao ponto de precisamos de um monitor térmico para os nossos agentes de IA. O interessante é o "sem matar processos" — não é um gestor de tarefas que fecha tudo, é uma realocação para os núcleos de eficiência, que gastam menos e aquecem menos. E os catorze graus são o número do criador — plausível mecanicamente, mas é a alegação dele, não um teste independente. Cinco dólares é um preço de utilitário, à altura.
Sofia Almeida: E a terceira: o Loqi, ditado para Mac e Windows que produz texto limpo em qualquer aplicação, com tons ajustáveis por contexto, transcrição de reuniões, mais de noventa línguas, e o áudio é descartado após a transcrição.
Rafael Costa: Há duas coisas a separar aqui. "Texto limpo em qualquer aplicação" é a reivindicação central — o ditado nativo dos sistemas operativos varia muito de qualidade, e um ditado que funciona uniformemente onde escreves é um ganho real de fluxo. E o "áudio descartado após transcrição" é a garantia de privacidade do produto — o som não fica guardado em lado nenhum.
Rafael Costa: É uma promessa de design; como sempre, quem liga privacidade a isto avalia pela declaração do criador, porque não há auditoria no material que temos.
Sofia Almeida: E para fechar, duas aplicações de consumo que brincam com os nossos hábitos digitais — uma pela restrição, outra pela nostalgia. Começando pela restrição: o Mozy.
Rafael Costa: O Mozy é um bloqueador de aplicações para Android e iPhone com uma mecânica simples: andar ganha minutos de ecrã. Trinta e quatro passos valem um minuto. Sem GPS, sem conta. E as aplicações bloqueadas ficam bloqueadas à meia-noite.
Sofia Almeida: A mecânica "passos por minutos" não é nova em absoluta — existem versões disto há anos — mas o Mozy faz duas escolhas que merecem nota. Primeira, sem GPS e sem conta, o que significa menos dados recolhidos e menos atrito para começar — o que reforça a credibilidade de uma app que devia, supostamente, reduzir a tua dependência de ecrãs. Segunda, o bloqueio à meia-noite é uma âncora dura: o tempo ganho não se acumula indefinidamente, há um reset que força o ciclo a recomeçar.
Sofia Almeida: Isso evita o padrão de acumular horas no fim de semana para as gastar todas num domingo de sofá.
Rafael Costa: E a nostalgia: o Flipcorder, uma aplicação iPhone de 4,99 dólares que transforma o telemóvel numa câmara de vídeo de 1991.
Sofia Almeida: Explica a mecânica, porque é onde está a ideia.
Rafael Costa: Os "flips" são gravações de vinte segundos — a duração curta é deliberada, força a capturar momentos, não a filmar sem parar. E uma cassete datada por dia — o material organiza-se por dia, como as cassetes de família de antigamente, sem montagem e sem subscrição.
Sofia Almeida: O que gosto nesta comparação de fecho é que as duas apps atacam o mesmo alvo — a nossa relação compulsiva com o telemóvel — de lados opostos. O Mozy restringe o que já fazes; o Flipcorder substitui um hábito por outro — em vez de films infinitamente, films vinte segundos com intenção. Nenhum dos dois tem números de utilizadores ou provas no material que temos, mas os dois têm uma proposta suficientemente clara para se explicar numa frase — e isso, para apps de consumo, costuma ser meio caminho.
Rafael Costa: Pois. E era isto que tínhamos hoje. Recapitulando o essencial: no código, agentes que se gerem com rigor — AVP provando mudanças, ManyAgents e VibeiDE a organizar e a exigir revisão humana, tabsh e AI Bridge a dar visibilidade e infraestrutura, Standfast a vigiar os runners. No fluxo de desenvolvimento, omerta a apanhar segredos e o verificador de PDFs a apanhar problemas de acessibilidade antes que saiam.
Sofia Almeida: Nos custos, o CloudKnife com o seu núcleo determinista e o Helio auto-hospedado. No acesso a modelos, o AllModels com o seu router, o MiniMax Flash a empurrar os preços para baixo e o Strawberry a delegar ações nos companheiros — com as devidas reservas sobre fiabilidade. Kiwi, Jobmate AI e N8N Chat UI a reduzir a fricção do dia a dia. SurgePix e 2G no terreno criativo. Desigma, WhoIsCooking e Loqi como apps nativas e locais. E o Mozy e o Flipcorder a fechar com os hábitos.
Rafael Costa: E a nota final, como sempre: a maioria do que ouviste hoje são alegações de criadores, não resultados verificados. A nossa função foi separar o que está descrito com clareza daquilo que ainda precisa de prova. Ficamos por aqui — até amanhã, com um novo conjunto de lançamentos.
Sofia Almeida: Até amanhã, e obrigada por nos ouvires.